EVENTOS

II SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR

 

A RESPONSABILIDADE SOCIA E O NOVO CAPITALISMO

Michael Jonas

 

Para muitos a globalização é a causa de todos os problemas econômicos que atualmente enfrentamos: desemprego, poluição, concentração de renda e baixos salários (para citar apenas alguns). E como a globalização é a mais nova face do sistema capitalista, aqueles radicais (eco-terroristas, punks, skinheads, socialistas de pijama e comunistas) que há muito tempo estavam hibernados após a queda do muro de Berlim e a derrocada da falácia que era o sistema econômico socialista europeu, voltaram à tona com toda a força, ressuscitando dos mortos figuras como Karl Marx e Friedrich Engels, pregando o fim do capitalismo e da globalização, e a transformação do nosso país em um país socialista.

Não posso deixar de lembrar que as teorias econômicas socialistas, assim como a comunista utópica (minha ênfase / quem quer observar uma dessas é só assistir a novela da Globo "Estrela Guia"), pregam a não existência da propriedade privada, os controles dos meios de produção em mãos do "povo" e, em última análise, a inexistência completa de empresas como conhecemos. Sim, há empresas no sistema socialista ou comunista mas com estrutura e objetivos completamente diferentes dos que conhecemos.

Os radicais defendem a revolução armada, enquanto outros pregam a transformação via democracia e o voto. Não vou perder o meu tempo contestando os radicais, esses que vão morar na China, Cuba ou Coréia do Norte com seus "totalitarismos populares" e economias em frangalhos. Os menos radicais, todavia, argumentam que a experiência de países como os da escandinávia (Suécia, Noruega e Dinamarca), França, Alemanha, Espanha e até a Inglaterra (com a terceira via defendida por Tony Blair — 1o Ministro Inglês e membro do Partido dos Trabalhadores Inglês e considerado como de centro-esquerda) justificam essa "volta", ou no caso brasileiro "ida", ao socialismo.

Quanta ingenuidade! Acham que só o socialismo se preocupa com o social. Em primeiro lugar todos os países citados são países com sistemas econômicos capitalistasi, isto é, onde existe a propriedade privada, onde os meios de produção estão na mão do povo (sem aspas), onde as empresas podem produzir o que bem entendem, onde o lucro é valorizado e onde há a liberdade de expressão, e do ir e vir. O que esses países têm em comum são regimes de governo ditos socialistas (centro-esquerda; os de esquerda são radicais e a esses já teci comentários suficientes), ou de terceira via, onde o Governo tem uma maior preocupação social; que alguns chamam de Capitalismo Social ou Social-Democrataii.

Mas o Governo, assim como as empresas, são "seres" inanimados, assim como o sistema capitalista também o é. Não existe o "ser" Governo, o "ser" Empresa ou o "ser" Capitalismo. Não tenho conhecimento que eles saiam por aí com vida própria, demitindo as pessoas, pregando o lucro pelo lucro, a competição selvagem, que os fins justificam os meios, e que assediem moralmente as pessoas.

O que determina o que é um Governo, uma empresa, um sistema econômico ou ainda um regime de governo são as pessoas que as compõem. O que esses países têm e que nós ainda não temos, é um povo ético, com moral, com justiça, com consciência do social e dos limites da liberdadeiii. Tudo passível de ser conseguido através da educação. Não podemos e nem devemos rotular esse ou aquele sistema econômico, ou Governo, como mais predisposto ao assédio moral ou as conseqüências "nefastas" (desemprego, concentração de renda, poluição, etc...) ditas do capitalismo; mas podemos sim, afirmar que tudo isso é resultado da falta de ética, moral, justiça ou liberdade de um povo.

Então, como conseqüência, a responsabilidade social não é do Governo, e não é das empresas. A responsabilidade social é de cada um de nós (minha ênfase), pois somos nós que nos associamos e construímos empresas, e somos nós que estamos no Governo decidindo que políticas e decisões tomar. Se não temos ética e nem moral, não poderemos tomar decisões éticas e morais, nem agir com ética e moralidade.

Ter responsabilidade social é ter consciência das nossas ações e o impacto que ela vai ter nas outras pessoas que compõem a nossa sociedade. As pessoas terem responsabilidade social, e em conseqüência as empresas terem responsabilidade social e por último o Governo ter responsabilidade social não significa apenas "ajudar os mais pobres e os mais necessitados", mas sim dar condição para que essas pessoas saiam da situação em que se encontram.

Doar parte da receita de sua empresa para uma instituição que trabalha com meninos de rua não é ser responsável social, é ser paternalista (isso não vai lhe dar o "reino dos céus"). Mas doar o seu tempo (o mais valioso de todos os bens econômicos) e conhecimento (educação) aos mesmos meninos para que eles possam sair da situação em que vivem, é sim ser responsável social.

Precisamos dar a esse país um choque de ética, moral, civismo e liberdade. Começando por nós mesmos. Se nós não nos tornamos pessoas com responsabilidade social, as empresas também não serão e o país também não. E aí corremos o risco de sermos atropelados por aqueles que são, e perdermos definitivamente o rumo de nossa história.